O que é Psicanálise?

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Psicanálise: O que é, sua origem, qual sua importância e porque fazer análise?

O QUE É PSICANÁLISE?

A psicanálise é uma abordagem fascinante, profundamente humana e esclarecedora que busca compreender os caminhos do nosso inconsciente para entender os mecanismos de nossas dores, frustrações e emoções mais profundas que influenciam nossos padrões de comportamento e afeta nossas vidas de maneira significativa. Ela é explorativa, analítica, reveladora e de autoconhecimento profundo, mostrando aspectos da nossa personalidade, da formação da nossa psiquê, acessando nossos traumas, repressões e acontecimentos que nos moldaram durante nossa vida. Traumas, depressão, ansiedade, transtornos de humor, relacionamentos, perdas, lutos e tantos outros fatores emocionais e mentais, nos tiram de nossa verdadeira estrada que é o bem viver, a psicanálise alinha nossas expectativas com nossas realidades e nos fortalece como pessoas proporcionando um autoconhecimento profundo, nos tirando de quadros tão impactantes e impeditivos aos quais nos aprisionamos, ela nos fortalece e nos ajuda a superar esses obstáculos. É uma abordagem perceptiva baseada em escuta sensível cujo o objetivo principal é compreender as dinâmicas do inconsciente na construção da personalidade humana. Essa compreensão auxilia no enfrentamento dos problemas que nos controlam e nos assombram nos proporcionando uma vida melhor e mais consciente. Entre as diversas faces de investigação desse campo, uma das estâncias psíquicas mais visitadas e essencial para nós seres humanos é a fantasia.




A origem da psicanálise

Příbor (em alemão Freiberg in Mähren) um município da República Checa na região da Morávia , nasce Sigismund Schlomo Freud , mas conhecido com Sigmund Freud, que viria ser um notável médico neurologista austríaco muito a frente de seu tempo e pai da psicanálise.

Com um olhar genial na direção dos processos mentais, Freud vislumbrou uma instância psíquica que chamou de inconsciente, e viu que lá eram onde estavam escondidos nossos traumas, repressões, desejos, medos e processos profundos que viriam a interferir diretamente no modo como experimentamos a vida. Freud argumentou que nossos pensamentos, emoções e comportamentos são influenciados por impulsos e desejos ocultos, muitas vezes fora do nosso conhecimento consciente, ele desenvolveu técnicas terapêuticas, como a livre associação e a interpretação dos sonhos, para acessar e compreender esse inconsciente. Esse olhar para o inconsciente mudou a maneira como iriamos vir a enxergar o funcionamento da mente humana e de nossas emoções, nascia então a Psicanálise. Sua origem no final do século XIX, é amplamente reconhecida como uma disciplina que explorava a mente humana e suas complexidades de maneira inovadora em sua época. O contexto histórico da Viena da virada do século XIX para o XX foi crucial para o seu desenvolvimento. A sociedade estava passando por profundas mudanças culturais, políticas e científicas. Freud, ao trabalhar com pacientes que sofriam de distúrbios mentais inexplicáveis através das lentes da neurologia, percebeu que muitos desses problemas tinham raízes psicológicas profundas. A teoria freudiana trouxe à tona conceitos-chave, como o desenvolvimento psicossexual e dividiu em fases que explicavam com muita coerência nosso comportamento desde o nascimento até a fase adulta, eram essas fazes a oral, anal, fálico, latência e genital. A estrutura da personalidade também foi desenhada com a teoria do id, ego e superego, e explorou a importância da sexualidade e das experiências infantis na formação da psique. Com o tempo, a psicanálise evoluiu e se ramificou em várias correntes, cada uma com suas próprias interpretações e abordagens terapêuticas. Apesar das críticas e debates que surgiram ao longo dos anos referente a psicanálise, ela permanece uma influência significativa na compreensão da mente humana e no tratamento de questões psicológicas. Após Freud, surgiram grandes nomes na psicanálise, e no final deste artigo, citarei os nomes mais influentes e quais foram suas principais contribuições.


QUAL SUA IMPORTÂNCIA?

Uma das maiores importâncias da psicanálise é autoconhecimento, que na psicanálise representa o ato de trazer à consciência os conteúdos reprimidos do inconsciente a fim de entende-los, ressignifica-los, e transforma-los, aliviando assim o peso que nossos traumas exercem sobre nós sem ao menos termos conhecimentos disso. Esse processo é essencial para a evolução pessoal e o alcance de uma vida emocionalmente equilibrada e livre das correntes que nosso passado construiu ao longo de nossas vidas. Ao reconhecermos nossos impulsos, desejos, medos, dores, angústias, tristezas e padrões de comportamento, somos capazes de tomar decisões mais conscientes e alinhar nossas ações e emoções com nossos verdadeiros desejos, objetivos e valores. A autoanálise só é possível quando estamos diante de um profissional capaz de ter a sutileza, a empatia, a neutralidade e principalmente o acolhimento com uma escuta atenciosa sem julgamentos, fazendo com que esse processo de autoconhecimento seja realmente verdadeiro e transformador e nossas vidas. A análise se torna uma ferramenta valiosa na busca do autoconhecimento. Ela envolve a autorreflexão e entendimento das próprias experiências, emoções e relacionamentos. Ao explorar nossos sentimentos e compreender suas origens, somos capazes de identificar padrões disfuncionais e traumas não resolvidos que podem estar afetando nossa vida presente.


PORQUE FAZER ANÁLISE?

Mergulhar em nós mesmos é desafiador e requer coragem para enfrentar aspectos sombrios de nós mesmos. No entanto, é uma jornada recompensadora que nos leva a uma compreensão mais profunda de nossa verdadeira essência, motivações e propósito na vida, nos libertando dos maus sentimentos, dos nossos sofrimentos e angústias, nos afastando das fantasias das coisas que vivemos em nossa mente e nos colocando em nossa realidade de uma maneira mais consciente.

A fantasia é nosso maior mecanismo de defesa quanto ao que acontece na realidade, ela é uma construção mental, uma projeção inconsciente que exerce uma representação simbólica nas nossas mentes do que pensamos estar acontecendo e do que realmente acontece, essa representação é baseada em nossas próprias experiências e desejos mais profundos, que tem origem em experiências já vividas, relacionamentos afetivos que desenvolvemos ou mesmo aspectos da personalidade. A influência que essa fantasia tem no modo como nos relacionamos, influência o processo terapêutico, sendo fundamental no processo analítico, que consiste em aproximar nossas fantasias da realidade. Projetamos nossas emoções, expectativas e desejos sobre o outro, e quando essas expectativas não são efetivadas, nos frustramos e colocamos a culpa sempre no objeto de desejo, pois não reconhecemos que nossas expectativas não condizem com algumas realidades, nesse ponto é quando começam nossas angustias e sofrimentos. O analista pode assumir diferentes formas na psiquê do analisando, variando de acordo com a história de vida e de suas vivências, essa transferência é a base do processo analítico, pois quando o psicanalista começa a assumir papéis em nossa história é quando começamos a nos deparar com nossos verdadeiros conflitos. Alguns podem fantasiar o analista como uma figura onipotente e protetora, que irá resolver todos os seus problemas, outros podem projetar figuras parentais ausentes ou idealizadas, e é através da associação livre que iremos perceber essas transferências. É aí que a neutralidade, a empatia, a escuta afinada, a sensibilidade e o manejo se fazem presentes e de suma importância na psicanálise e na conduta do analista. Essas fantasias podem criar um campo emocional intenso na relação terapêutica, permitindo que o analista compreenda melhor os conflitos internos e as dinâmicas do nosso inconsciente. Ao explorar e interpretar essas fantasias, o analista nos auxilia a compreender suas projeções e a desenvolver uma visão mais clara de nós mesmos e de nossas convicções. O analista deve estar atento às manifestações transferenciais do analisando, buscando compreender as emoções subjacentes e os desejos ocultos por trás dessas fantasias. Ao trazer à consciência essas projeções, o analista possibilita a análise e a transformação dos padrões inconscientes que nos limitam, e é através da associação livre que conseguimos ter a possibilidade de elaborar, ressignificar e transformar esses acontecimentos muitas das vezes traumáticos e limitantes. Desempenhando um papel central na psicanálise, revelando a intricada teia de desejos, projeções, repressões, deslocamentos, e dinâmicas inconscientes que permeiam a relação terapêutica, a fantasia permeia todo o processo analítico, sem ela seria impossível se chagar próximos da nossa realidade, e proporcionar equilíbrio. Através da interpretação cuidadosa dessas fantasias, o analista e o paciente são capazes de explorar as camadas mais profundas da psique humana, permitindo o crescimento pessoal e a resolução de conflitos emocionais, mentais e traumáticos.


CONCLUSÃO

A psicanálise oferece uma abordagem valiosa para o autoconhecimento, para a resolução de nossos traumas, nossos sofrimentos e angústias, inclusive permitindo a melhora de doenças psicossomáticas, auxiliando-nos a explorar as camadas mais profundas de nossa psique e a compreender as complexidades de nossa existência. Ao integrar os insights da psicanálise em nossa busca pelo autoconhecimento, podemos promover uma vida mais autêntica e satisfatória. Em última análise, o processo de autoconhecimento é uma jornada contínua que enriquece nossa compreensão de nós mesmos e nos permite viver de forma mais alinhada com nossa verdadeira essência.

Por Roger Reis

Psicanalista e Filósofo

Artigo: O que é psicanálise

Date:

24/02/2019